26/03/2019

Por falar em amor-próprio





Antes de aprender a me amar, me recordo da culpa que joguei em mim.
Me declarei culpada e carreguei nas costas todo o fardo dos relacionamentos que foram um fracasso. Lembro de ter perdido o sono, por mergulhar em minhas próprias paranoias enquanto me convencia de que eu nunca seria suficiente para que alguém ficasse, como se fosse uma necessidade ter alguém ao meu lado.

Recordo de ter me deixado pra trás, de ter duvidado da minha capacidade de amar outra vez só porque alguém me fez, por um instante, desacreditar no amor. Lembro, também, de ter me maltratado pelas escolhas dos outros, porque eu achava que a partida e o silêncio do outro era minha culpa. Eu, realmente, acreditava que se o outro escolhesse partir, era por ter algo de errado comigo, com meu corpo, com a minha maneira intensa de amar, até compreender que o amor e que a intensidade que carrego não são o problema.
Às vezes, aquilo que a gente tem pra oferecer não é o suficiente pra que alguém fique.
E tudo bem.
Eu lembro de me odiar por muito tempo, por perceber que eu não era levada a sério, e mesmo assim, não conseguia ter coragem de partir.
Porque a gente sempre sabe quando a gente não faz mais diferença pra alguém, a gente sabe quando machuca, quando não existe mais vontade, quando não cabe mais o nosso amor.

O amor próprio nem sempre vem na primeira tentativa; ou na segunda; ou na décima quarta. Mas ELE VEM. 
A gente vai aprendendo aos poucos a ser a nossa própria morada, a transformar a nossa intensidade em algo que caiba perfeitamente em nós mesmos. Um dia a gente aprende a genuinidade de ser o amor da nossa própria vida e saber que isso não é egoísmo ou egocentrismo, é sobrevivência.
É respeito ao que a gente sente.
Amor pelo que somos.
É carinho por inteiro.