Por falar em continuar na fé..



Mas agora, não restam grandes palavras para dizer, nem sentimentos novos para viver. Agora restam apenas fragmentos do que passou e do que está sempre passando. Resta a inconstância das ideias, as mudanças diárias e o cansaço que pesa no corpo todo. Fica a vontade de descansar e a vontade insaciável de viver, a vontade de ter e o desejo, ainda maior, de finalmente ser. Mas a gente apenas permanece, como se a mente não estivesse imersa nas próprias cobiças alucinadas e desenfreadas. Como se a vida fosse fácil... a gente se engana tanto.
Sinceramente, o que fica, com maior força, é esta esperança perturbadora e barulhenta, apesar de. Esta faísca de fé que não me abandona nunca, a persistência que deve morar em mim... não sei o quão bom é, mas existe. É que, durante o dia todo, penso que não vale a pena se entregar por tão pouco- será pouco mesmo?- então, procuro me lembrar de qualquer coisa que possa ser feito para que o dia não seja perdido, um vestígio de felicidade que me faça sorrir. Geralmente, lembro de você e, percebo que é melancólico demais ser nostálgica o tempo todo, depois paro de me importar com isso e te guardo bem fundo em mim. Têm algumas pessoas, assim como momentos, que a gente não faz nada além de apreciar e guardar, como o céu intenso que se guarda nos olhos fechados, como você que eu guardo para não perder, para não esquecer. É assim mesmo, tiro um tempo do dia para me dedicar ao que faz bem. Você está sempre presente nesse tempo.
E mesmo cansada, acabada, velha, machucada a gente tem que continuar, não é? Claro que é. Um alívio saber que ainda tenho motivos (sendo você um deles) para não desistir.

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