Por falar em linhas tortas..

Ele me encontrou perdida na rua sem saída da minha solidão. Se mostrou inteiro, apontou um caminho, estendeu a mão. Ele tinha gosto doce, mas não negou a tendência maracujá, delicado com meu estado, sugeriu: venha já. Eu, medrosa, me afastei. Se todo encanto for sonho da minha cabeça, não sei. O caminho era incerto, tinha inverno, tinha verão, mas não tinha final, só linhas. Ele só desejava desenhar comigo. Mas eu não desenho bem.

Ele me tocou como se toca uma música e a gente junto era melodia. Vi que não fazia mal, e logo entendi: Ele não queria ser o protagonista da própria história, assim, sozinho. E ele me achou porque seu caminho se perdeu na minha rua. Que agora já não era minha. Nossa rua sem saída já não se denominava solidão. Ele precisava de alguém que escrevesse em suas linhas, e completasse suas composições melancólicas.

Justo eu. Que tem a letra tão torta, a cabeça tão cheia, o peito tão explosivo, o coração tão apertado. E as rimas tão simples. Justo eu que me achava alguém só, realista e intelectual, mas que desde sempre só prestei pra escrever romances... Agora já não me sentia tão completa. Nem percebi quando sua presença roubou metade de mim. Ou foi mais que isso?
Ele não se mostrava perfeito,e pegou meu coração assim tão cheio e retirou todos meus anseios e medos,e depois devolveu meu coração. Mas devolveu ele tão leve que eu não aceitei, não. Que graça tem andar por aí com o coração leve pronto pra pesar de novo? Tome pra você, cuide dele, trate ele. Pra nunca pesar de novo. Grande favor me fizeste!


Enfim. Agora ele trata meu coração e eu escrevo pra ele, assim, do jeito ainda torto que tenho. Pois ele quis assim, sensível e amoroso. Das outras coisas que poderia dizer sobre ele, não digo agora. Talvez diga nas entrelinhas. De cada frase, cada música, cada sorriso. Ah e como digo! Mas me importa agora só ele entender.


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