24/01/2014

Por falar em..acordo.

"Se você adora uma certeza, fique longe desse tipo movediço de campo de sedução atulhado de descargas elétricas de ilusão e difusão semântica; onde um olhar, um sorriso, um gesto, uma palavra podem representar mil coisas além de apenas um olhar, um sorriso, um gesto, uma palavra. Você pode também acabar confundindo-se, escancarando intenções estúpidas e incomodando vizinhanças."
(Gabito Nunes)

   Vamos ser sinceros? Não estava nos meus planos gostar de alguém. Ou estava. Mas eu não lembrava que era assim. Estava nos meus planos encontrar alguém pra desejar ter por perto, ter um rosto pra procurar em meio à multidão, um sorriso pra me inspirar quando faltassem palavras bonitas ou pintadas de esperança. Até aí, parabéns meu bem, você conseguiu. Mas eu não lembrava as regras do jogo, as cláusulas do contrato que a gente finge não ler. Aquilo tudo sobre enxergar o que não existe e nunca existiu, ouvir além do que foi dito, achar ter mais do que tem. Eu tinha esquecido das borboletas, da ciranda que provocam no meu estômago quando você se aproxima ou quando alguém se aproxima de você. Acho que eu tinha esquecido de tudo o que significa gostar, andar nessa corda bamba de possibilidades ou na montanha russa que é te decifrar.
   Não estava nos meus planos um olhar que confundisse tanto, que me procurasse enquanto o corpo fugisse; estava nos meus planos a objetividade, fora desses jogos que já me cansaram tanto. Não estava nos meus planos tudo o que você nunca me disse e talvez nunca diga, nem tudo o que te falta pra ser o que eu procurava. Não estava nos meus planos esbarrar com você naquele dia comum e nunca mais conseguir desviar o olhar.


   Você não estava nos meus planos, mas chegou, de uma forma ou outra; seja verdade ou invenção: chegou. E é fato. Mas agora temos algumas coisas para acertar. É bom te ter, ou ter a sua invenção, ou ilusão, tanto faz, é bom. É bom ter alguém pra procurar e ter como promessa ainda que nunca se cumpra, mas precisamos deixar tudo bem claro. Se você não vai ocupar a cadeira vazia do meu lado, por favor, desocupe também os meus sonhos. A gente pode ser como aquelas pessoas que só se olham, que são promessas e nunca se cumprem, se você desocupar o cantinho quente que não acreditava mais do meu coração, justamente a parte que já sinto se mobilizar para a sua chegada. A gente pode concordar em nunca acontecer e ser apenas essa espécie de fuga nesse tempo em que  nada encanta nem comove, se você concordar em sair da minha mente nas noites confusas e deixar de ser uma espécie de desejo - ou sonho? Se você for apenas uma promessa nunca cumprida, por favor, faça as malas enquanto o estrago não é maior. Saia enquanto posso não fazer alvoroço, enquanto a dor vai passar junto com a risada que vou dar dessa história toda, por todas as minhas doces ilusões. Saia enquanto a dor não será dor, mas apenas um suspiro arrependido do que poderia ter sido se.


   Você sabe que poderíamos ganhar o mundo? Sei lá, mas algo tão improvável como nós dois poderia ser um sucesso de bilheteria. De repente você seria tudo o que eu não sabia que precisava, e eu seria tudo o que você nunca procurou, e nós dois riríamos da obviedade do nosso encontro imprevisível naquela dia do mês que não sei mais. Eu gosto do improvável, e gosto de você. Mas é difícil me perder tentando te decifrar, transformar certezas em incertezas num piscar de olhos, andar de montanha-russa ainda que essa sempre tenha sido a parte do parque que me causou mais medo. Por isso precisamos ser sinceros. Agora. Antes que seja tarde demais e a bagunça incorrigível. 
   Vamos ser sinceros: tô cansada de ser promessa, vamos acontecer num dia desses? Se não, tudo bem, abro uma exceção e a gente combina de ser apenas promessa ao menos pra sair do tédio. Mas avisa logo, enquanto posso conter a chuva de você. Avisa logo, sai do meu coração e leva contigo as partes de você que comecei a colecionar. Agora. Um minuto a mais pode ser muito tarde.
   Vamos ser sinceros? Te quero como promessa cumprida. Sem pressa. A gente pode combinar assim?







21/01/2014

Por falar em tempo.



Talvez o tempo queira nos dizer algo, ou só esta fazendo o seu papel.

Talvez ele queira mostrar que ele mesmo trará explicações que nos anseiam hoje.
O tempo não para, como diria a canção de Cazuza, ele não da um tempo se quer.
erdão, que o tempo nos traz quem deixamos ou quem
Ou você vai ou fica para trás, o tempo não volta. Aprendi que com o tempo há
p quis ficar para trás. Só quero dizer que o tempo nos traz algo que jamais pensávamos receber,
e queimava meu coração, hoje já não sinto mais.

Porque o tempo me deixou cicatrizes que ele mesmo cicatrizou, mas não apagou. Até porque o traba
O que realmente estou querendo dizer é que o tempo esta passando e com ele aquele fogo ardente q
ulho dele é somente andar para frente e não para traz.
e com ele as esperanças se foram, porque? Talvez o seu tempo não seja o meu tempo, talvez a sua verdade não seja a minha verdade. Meus amigos não são seus amigos e com isso a chama vai se apagando.

O tempo irá te mostrar que eu valho a pena, que eu sou
Esperei todo este tempo por você, até que o tempo passo
ua pessoa certa pra você, Quando você fechar a porta do seu quarto, e não tiver mais ninguém ao seu lado, sei que irá lembrar nas suas lágrimas do meu sorriso, de quando ficávamos até as 5:00 da manhã conversando, de quando você sofria por não conseguir expor suas opiniões, de que somente comigo você conseguia ser você. De quando fui correndo em plena noite de natal atrás de você, atravessei a cidade na madrugada e não consegui te encontrar. Quando fiquei esperando você por mais de uma hora e você não apareceu.
Ou de quando precisava de um conselho, me ligava e pedia minha opnião. Quando seu tio faleceu e eu quis ir correndo para ficar ao seu lado e você preferiu sofrer sozinha. Isso foi apenas algumas coisas que o tempo me trouxe, desde que nos conhecemos. Enfim de tudo. Sempre estive ao seu lado mesmo distante. ( Acho que não percebeu isso ). Sempre estive aqui.

Tudo isso por culpa do tempo que é implacável no seu papel. Ele o faz tão bem,que mesmo com tanto tempo que sobra, ele não volta atrás.


Texto Lindo do meu amigo e irmão de coração,Rafael Matias.

08/01/2014

Por falar em..defeito de fábrica.



" Os vícios redibitórios, por definição, são defeitos
 ocultos que diminuem o valor ou prejudicam 
a utilização da coisa (art. 441 do CC-02)"

O nosso amor eu que inventei. Eu jurava por tudo o que era mais sagrado, que não havia possibilidade alguma de dar errado. Éramos feitos um pro outro, sem tirar nem pôr. Até mesmo aquelas coisas em nós dois que não se encaixavam, harmonizavam-se de um jeito qualquer que me fazia pensar  "tá tudo lindo, tá tudo bem".
Mas na verdade, toda essa  história pode, metaforicamente, ser resumida assim: um eterno Bukowski em você, despertando sempre o Neruda que  existe em mim.
Pra ficar mais claro: Me fodi.
Você vá me desculpando pelo termo, pelo mau jeito, e qualquer uma das outras coisas ditas e (mal)feitas, mas eu não posso deixar essa sinceridade infiltrável de lado.Principalmente agora que eu consigo ver as coisas sobre o prisma de quem tá de fora.
Por falar em quem tá de fora, esses dias me perguntaram o que você foi pra mim. Entre risos respondi que você foi tipo um potinho de sorvete no congelador, só que com feijão dentro. Ou tipo mergulhar de cabeça numa piscina que não era funda. Ou tipo encher o café de açúcar e perceber que o pote era de sal.
Ou tipo..tipo essas coisas que parecem uma maravilha no inicio, mas no final são uma merda, sabe?
Nosso amor veio com defeito de fábrica. Mas eu estava tão entusiasmada com as borboletas no estômago, com a poesia, com o azulado instantâneo dos meus dias ao te ver e com aquela babaquice toda, que esqueci de ponderar, analisar, a-ve-ri-guar.
Reconheço, claro, que toda aquela ilusão era uma delícia ao seu lado, apesar de tudo. Me foi inspiração prum bando de poesia, música, sonho. E obviamente por minha própria capacidade criativa, me causou umas sensações deliciosas ao passo que eu me rendia e me prendia em sua teia.
Mas, agora, tanto faz. eis-me aqui, a cada dia que passa, "redibindo" essa nossa história. Quero dizer, expurgando você do coração, da mente, da vida mesmo. Ao passo que substitui a dor de te perder pelo prazer de manter em mente que algumas coisas simplesmente já nasceram pra acabar. 
O mais interessante é que no fim das contas, não sobra nada além de um arrependimento esquisito, uma vontade de voltar ao passado mesmo, e viver todo esse tempo sem nunca ter deixado você ficar. Assim, desse jeito mesmo: resolução total do contrato, inclusive com efeitos "ex tunc", sabe?
Mas algumas coisas simplesmente não podem ser totalmente esquecidas. Superadas. A gente vive em constante reavaliação dos erros,das escolhas e dos efeitos que tudo isso causa nas nossas vidas.
Ao fim da reviravolta "edilícia",  eu posso até ter recobrado os sentidos, recuperado boa parte do amor e tempo dispendidos. Finalizei.Dei um basta. Me ganhei de volta pra mim.

Mas, feliz ou infelizmente, não conseguirei apagar da memória a parte ruim de viver uma ilusão. Isso ninguém me tira, não há quem resolva definitivamente.

Digo mais: Ainda bem.

Por falar em..pontos finais.

A vida não é livro que após a última página, se fecha, acabou. Nem música, que ao final dos acordes se cala. A vida é ciclo. E continua após um ponto final. E você que se reinvente, se rebobine, reconecte, refaça. Você que dê um jeito, porque a danada não pára pra lhe esperar.

De cada enredo, um aprendizado, uma bagagem, uma memória. Desnecessários ou não, carregamos para o próximo início todos os outros pontos finais. Tem gente que chama de amadurecimento. Eu prefiro chamar de sacanagem.

A vida e seus pontos finais são uma grande SACANAGEM!

Será que só de vez em quando algumas partes não podiam ficar pra trás? Fechadas, como um livro, encerradas como um filme, caladinhas como música que acabou? Mas não, né? Tem sempre um eco, uma lembrança sem jeito, uma pontinha, uma pontada.

O que nos resta é aceitar e encher a sacola de coisas vividas, saudáveis ou  não. E partir para o novo, sem dó nem piedade. Tentando não pensar demais no que "poderia ter sido", superando o que "já foi" e torcendo muito pelo que há de vir.

Posto que do ponto final em diante, há uma nova possibilidade, um novo caminho, novas cores, novos sabores, novas pessoas, sensações, frustrações, pancadas, arrependimentos, lágrimas, memórias para construir.


Aliás, no fim das contas, é mais ou menos isso que a vida é: construir memórias. E aprender a lidar com elas.