Por falar em dar errado..de novo.

Quarta-feira, duas horas da manhã, meia xícara de chocolate quente (agora frio), coração angustiado. Deixei rolar pelo fone de ouvido uma lista antiga de músicas enquanto insistentemente eu me forçava a sentir sono. Nada. Preciso parar de beber. Desisti de tentar dormir, observei meu quarto, preciso colocar tanta coisa em ordem. Fechei os olhos. Foi então que eu senti meu peito ser esmagado por uma música. Cerrei os lábios na falha tentativa de não chorar quando a música começou “..Veja você, quando é que tudo foi desabar...”.

Durante os minutos seguintes eu desejei com toda a minha força por uma ligação sua, uma mensagem no whatsapp, um sinal de fumaça ou qualquer outra coisa que pudesse mudar aquele clima que ficou, por algo que pudesse trazer de volta aquela conversa que tínhamos quase todos os dias,durante duas semanas..era tudo sem pé nem cabeça,mas que eu gostava tanto de contar e recontar ao mundo como se fosse mais um filme repetitivo da sessão da tarde, desses que a gente não cansa nunca de assistir. Enquanto Los Hermanos embalava a minha noite eu quis voltar no tempo só pra sentir seu abraço como no dia que nos conhecemos,lembrar da nossa primeira conversa meio tímida.Você me ganhou (droga!). Sinto falta da esperança de um dia ficarmos juntos,de que fosse você o cara certo manja? Eu queria tanto te contar sobre o livro novo que eu comprei e que resolvi ler Bukowski porque você disse que era bom,que eu baixei de volta aquele música do Emicida que você disse que gostava e eu fatalmente não a tinha naquela noite. Queria tanto viver aquele script que eu montei para nós,que minha amiga tivesse acertado e me apresentado o cara que me faria mais feliz. Enquanto a música ia chegando ao fim desejei que essa garota que ocupa o lugar que eu queria que fosse meu não existisse, como se fosse ela o problema de nós dois não termos dado certo. Tola.A questão não é ela, somos nós. Quando o quebra cabeça tá errado as peças não encaixam. Simples.


Ouvi a música acabar sendo tomada por uma dor exaustiva. Sem mensagens, sem ligações ou os sinais de fumaça. Lavei o rosto, sequei a alma e para não esquecer deixei anotado ao lado da xícara suja: “Preciso dar um jeito no meu quarto, preciso dar um jeito na minha vida. Tá na hora de apostar em um jogo que dê certo.” A(dor)meci. 


"..Diz quem é maior que o amor.."


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