Por falar em..palavras.




Dessa vez doeu.

E a tristeza que vem com essa pancada é bem diferente dos soquinhos leves e infantis que são nossas conversas. Dessa vez, o seu discurso belamente construindo, doeu.


Durante uma visita aos meus grandes amigos ouvia "você precisa conhecer o zé". Acho tão engraçado,meus amigos me amam,os caras que eles querem me apresentar,não. 
Os meus dias desde então foram girando a base de Bossa Nova, dores no útero e um pouquinho de ignorância, mas só um pouquinho, e principalmente com quem não tinha nada a ver com toda essa falta de amor e expectativa e romantismo e ilusão da minha parte. Como se o mundo já não estivesse uma merda,resolvi conhecer o Zé. Achei que o Zé seria o homem com quem iria finalmente afastar essa sorte no azar que eu tenho,por dois motivos: era um homem de coração bom e tinha um jeito encantador. Zé e eu conversamos e nos exploramos como dois babacas que não tinham nada melhor para fazer e fizemos planos de sair por aí como dois babacas ainda maiores. Alguma coisa já dizia que não daria certo. Gosto de fazer planos com quem tenho a certeza de que vão tirá-los de mim do mesmo jeito e velocidade com que me alegrei planejando.
Eu nunca fui um poço de certezas,aliás a quem diga que eu exalo dúvida,minha mãe sempre me disse 
que eu demoro muito para escolher e quando finalmente escolho não sou escolhida. Sábia mamãe! Fui obrigada a chorar de tristeza e  carência, e depois lembrei que tenho vinte e quatro anos,que a vida corre e chorei mais ainda.


Obviamente o destino riu de mim,e me tirou o Zé(mentira,ele que não quis ficar,mas eu prefiro culpar o destino,o cúpido e o que for,só pra me sentir menos idiota)..e como no início do texto disse,as palavras que saíram da boca dele machucaram,porque como um sopro de esperança eu fui ao seu encontro,e retornei desejando não ter ido,não ter me arrumado,não ter desejado,não ter esperado.
Só tem amor mesmo quem sabe amar. Quem sabe dividir a pipoca, dividir a coberta e dividir a cama. Realmente, do jeito que sou azarada, acho difícil encontrar um que entenda meu silêncio e minhas dúvidas,que me abrace e que me queira por perto. Enquanto isso,eu fico nessa brisa de tartaruga vomitando poesia só de domingo.E no metrô voltando do trabalho vou continuar escrevendo roteiros para peças de teatro que provavelmente nunca vão sair do papel. Vou pensar em como minha vida vai ser bonita em Londres e às vezes, mesmo desanimada,vou olhar para o lado na esperança de encontrar um homem barbudinho que goste de Los Hermanos e que se possível, esteja olhando pra mim.

Quem sabe um dia..

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