Por falar em..bons filmes.





Era complicado escrever sobre tudo e guardar os textos na gaveta. Eu vivia como uma boa lunática e ainda sofria por papai. Não que as coisas tenham mudado muito, mas sua falta eu já consigo esconder com sorriso,eu acho. Tudo começou há uns 3 meses quando eu costumava empurrar o sofá da sala até o computador toda madrugada de sábado. Enchia uma xícara de café e pegava um travesseiro com fronha cheirosa e muitas cobertas. Era ali, naquele cantinho minúsculo, com um computador (vez ou outra celular) e um sofá velho e não muito confortável, que eu me sentia segura. Segura e sozinha e com uma velha birrenta dentro de mim. Vovó e eu trocamos de lugar há algum tempo.

Aqui em casa nós temos uma estante cheia de filmes. Mas foi na internet, buscando por comédias ou qualquer outra coisa que tirasse o riso que encontrei o filme “Tudo Pode Dar Certo” de 2009. Para uma jovem que não sabia lidar com a vida e muito menos com a morte, o título foi até convincente. Bastou começar a assistir para perceber que Boris Yellnikoff, interpretado por Larry David, falava comigo – e não era pouco! Eu não quero fazer uma resenha (até porque não conseguiria ser imparcial como é essencial em uma resenha), mas posso dizer que minha vontade era me jogar pela janela assim que acabou e quem assistiu com certeza vai entender. Foi amor à segunda vista – em seguida lembrei que já havia visto Meia-Noite em Paris -, e é horrível ser fã de um gênio. Principalmente quando ele tem 78 anos e a qualquer momento pode bater as botas.

Quando perguntam o porquê eu gosto tanto desse cineasta e músico e escritor e roteirista e ator e judeu e baixinho, eu nunca sei o que responder. E às vezes, eu nem sei se realmente quero responder. Não vale a pena quando eu vejo que a pessoa vai discordar ou criticar. Só posso afirmar que ele foi o único que conseguiu me fazer rir do jeito que eu precisava rir. E o melhor: sem usar palavras de baixo calão! Hoje qualquer idiota faz sucesso como “humorista” falando sempre sobre os mesmos assuntos e enchendo o discurso com palavrões. Woody Allen me mostrou com seus diálogos inteligentes e humor autêntico que a vida é assim: amam, casam, traem, bebem, choram, ouvem Cole Porter e morrem. Ele é a pessoa que eu precisava para me tirar do fundo do poço ou talvez do começo dele. Lá é escuro, é feio, é um lugar onde você encontra livros do Paulo Coelho, frases do Nicholas Sparks e o pior, pizza com bacon. Churros só nos finais de semana quando algum pagodeiro vai fazer uma visitinha.

Continuando minha história de paixão e doença e fúria e cinema e neura. Em março joguei um copo de suco em um japonês na faculdade porque ele ficou falando que Woody era pedófilo, mas hoje nós somos amigos, acredito eu. E espero que ele tenha me perdoado por molhar sua camisa com suco de maracujá. Talvez ele tenha ficado calminho. Foi um pouco assustador e confuso no momento, mas soltei boas gargalhadas depois. Nunca fui de pensar muito para não fazer besteira.

É claro que gosto de outros cineastas. No começo da minha lista você pode encontrar Charlie Chaplin, Tim Burton, Emir Kusturica, Quentin Tarantino e o brilho eterno de Charlie Kaufman. Mas Woody entende minhas crises, minha falta de homem, minha mania besta de se apaixonar rapidamente, meu jeito de sonhar alto e depois não conseguir voltar para o chão. É como um avô ou um pai ou um vizinho lindo ou um amante que reclama da vida e está disposto a me ouvir reclamar também. A gente não precisa de gente que nos entenda. Precisamos é de gente que esprema toda nossa cintura e nos faça esquecer os problemas. Estou falando de safadeza mesmo!

A vida é ótima quando você não está na fila de um banco ou com problema no coração,rins e fígado. Não falo isso por mal, é que Deus gosta de sacanear. Guarde este recado: não há psicólogo ou remédio ou livrinho de gente metida a escritora que possa te ajudar em algum momento sufocante da sua vida. Você só precisa de filmes. Bons filmes! Parece coisa de cinéfila, mas é verdade. E você já sabe qual eu indico para começar ou se jogar da janela de vez, não sabe?

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