26/12/2014

Por falar em hospício.




O primeiro poema, uma nova dor e mais uma experiência que gostaria de esquecer:

redonda acende no céu lindo
e espia cuidadosamente,
esta solidão longe do findo
que tornou-se confidente,

ao cair busco pelo estável
escondido, finamente rindo
eu um ser tão abalável
vou me autodestruindo

mas de verdadeira ajuda, há uma brisa
que limpa a sujeira da áurea,
o cérebro ainda sensato
pede um pouco mais de calma

para o coração fragilizado
que já não escreve pelos cantos
sem acolhimento e sem amor,
no hospício fico aos prantos.

24/12/2014

Por falar em não entender de amor.

Nunca quis me casarter filhos, ter um carro, ser responsável por uma casa e por seus habitantes. Longe disso. Pra mim sempre foi mais legal me imaginar independente, cosmopolita, livre e sem responsabilidades. Eu queria ser "Mayara,a dona do próprio nariz". No máximo com um cachorro, um violão e umas plantinhas - que lógico – seriam substituídas várias vezes, já que mal cuido de mim. Claro que essa visão é mais recente,porque quando criança eu vivia pensando em casamento,vai entender.rs
Hoje, aos 25 anos, percebo que somos mesmo um rascunho. Todos os dias somos escritos de um jeito diferente, pra que no outro sejamos amassados e 
atirados ao lixo. E então começa tudo de novo, mudando todo o sentido, o plano, o cenário da estória. Tudo o que foi, volta. Incólume. Nessa contramão irracional, nessa contradição de que somos feitos. Alguns fragmentos de best-seller já apareceram na minha vida pra que a esperança falasse alto. Mas só acumulei decepções. Por ser boazinha demais, talvez?! Já fiz planos tão bonitos que meu rascunho se tornou obra-prima, várias vezes. Me peguei desejando o oposto do que eu, mais jovem, julgava careta e sem graça. O amor muda mesmo a gente. Mas ele não impede que continuemos mudando quando ele se ausenta. Foi aí que assisti de novo minha transformação. Meu coração antes tão aquecido,se viu gelado, mas que as vezes se aquece e pede de novo por aquele futuro que planejei tanto pra mim, quer dizer..pra nós. O problema é que ele só pede. E pedir sem receber traz um cansaço enorme. Hoje eu estava pensando sobre tudo isso e não me vi independente, cosmopolita, livre e sem responsabilidades. Me vi num banco de praça, observando um lago, juntando todos os meus rascunhos e ainda lutando pra preencher o vazio que nunca se foi. O amor muda mesmo a gente. A falta dele também.

Já sinto sua falta.




"Mas tudo que eu quis também partiu
O vento que levou as quatro da manhã

A nuvem de respostas
Pra aquelas perguntas tortas o meu amor..." (8
(Roberta Campos- Para aquelas perguntas tortas)


09/12/2014

Por falar em dor





Nunca tive nada para te oferecer,além de minhas palavras e amor, e por isso, queria escrever algo "bonitamente triste" que te fizesse chorar uma noite inteira ou o resto da vida, como se você fosse capaz de tal ato. Queria roubar teus sonhos e sujar a cidade com o seu nome.

As palavras oscilam em mim, me salvam e me afogam. Sinto vontade de abandoná-las como já fiz tantas vezes. Ou foram elas que me abandonaram? Eu minto pra mim: Não há mais nada a dizer, mas em silêncio me pergunto os motivos de ter me deixado aqui.

Não havia nada carnal em jogo, só minha alma. Não diga a quem te ama que ela não pode te fazer feliz. Isso é imperdoável. Não diga que me ama,se não quer continuar me amando. Isso é intragável. Porque me amar é algo difícil demais pra você. Não só você, desde o berço encaro despedidas.

Tantas vezes duvidei do que sentia e se sabia externar o meu afeto, todas as vezes que foi um grosso por completo eu pensei em desistir, você sabendo ou não das minhas intenções sempre me convenceu a ficar, porque eu te olhava e tinha certeza que o mundo era bom assim, com você nele, e eu jamais conseguiria o mesmo, porque você se foi e quebrou tudo aqui, quebrou tudo em mim.
Muito tempo em vão me esforçando pra mostrar que algo era real.
Eu fui apenas uma ilusão, estragando a sua falsa liberdade. Um estrago no seu cotidiano ideal.
Sinto muito, nunca quis estragar sua vida..eu juro!

Foi você que me encontrou, que me consertou, pra depois quebrar de novo. Procurei o esquecimento e só encontrei desesperança. Total incredulidade no próximo e na bondade humana, é o que sinto agora.
Tenho que me esvaziar de você, de mim. Todos os "nós" se foram. No final das contas pra você não faz diferença.
Porque você não me lê, nem deve lembrar que um dia eu existi em você.
Não há nada bonito aqui, muito menos o que nos faz chorar.


04/12/2014

Por falar em nuggets..

De todas as vezes em que acreditei que o desânimo me pegou de vez, essa deve ter sido uma das reais vezes, uma das vezes mais profundas.

No momento em que entrei em casa, passei do portão preto e coloquei a chave na pesada porta de madeira, e nem olhei pra trás. Entrei no chuveiro e depois fiz nuggets assados. E pela primeira vez em muito tempo me permiti comer sem pensar nas consequencias ao meu já cansado corpo. E isso depois das 14h. Muito depois das 14h.

Pela primeira vez não me enfiei no quarto e abri um livro, nem acessei o Netflix. Deitei no sofá e fiquei zapeando os canais a cabo. Foi a primeira vez desde que me tornei adulta que fiz algo do tipo. Comer nuggets, deitar no sofá e zapear os canais sem pensar no mundo.

Achei bonito um programa com a Astrid. Chorei assistindo Grey's Anatomy e vi dois programas de moda e beleza completos, mesmos os comerciais, sem nem trocar de canal.  Não porque fossem interessantes, mas a inércia gostosa e melancólica de ficar em frente a TV me impediu de pensar. E eu estou sempre pensando, pensando, pensando. E pensar muitas vezes me machuca tanto.

Assisti uma série muito boa, fico feliz quando vejo que na TV ainda existem coisas boas  e mais feliz ainda quando essas coisas boas são produções brasileiras. No fim das contas, a inércia, os nuggets e TV me deixaram tranquila.

Isso porque eu não posso adiantar nada, nem viver por você, nem por outro qualquer. Isso porque eu acho que eu sou assim mesmo, essa aqui, mas ainda assim posso sempre aprimorar, aprender mais, isso porque a vida aqui é a vida real. Ela me embriaga, me empolga e me derrota na mesma proporção.

E porque, nos últimos minutos em frente a TV Denise Fraga cantou Cazuza:

"Na prática o amor é sempre o contrário.."

E percebi que era hora de desligar a TV e voltar pro mundo.
E escrever.