Por falar em nuggets..

De todas as vezes em que acreditei que o desânimo me pegou de vez, essa deve ter sido uma das reais vezes, uma das vezes mais profundas.

No momento em que entrei em casa, passei do portão preto e coloquei a chave na pesada porta de madeira, e nem olhei pra trás. Entrei no chuveiro e depois fiz nuggets assados. E pela primeira vez em muito tempo me permiti comer sem pensar nas consequencias ao meu já cansado corpo. E isso depois das 14h. Muito depois das 14h.

Pela primeira vez não me enfiei no quarto e abri um livro, nem acessei o Netflix. Deitei no sofá e fiquei zapeando os canais a cabo. Foi a primeira vez desde que me tornei adulta que fiz algo do tipo. Comer nuggets, deitar no sofá e zapear os canais sem pensar no mundo.

Achei bonito um programa com a Astrid. Chorei assistindo Grey's Anatomy e vi dois programas de moda e beleza completos, mesmos os comerciais, sem nem trocar de canal.  Não porque fossem interessantes, mas a inércia gostosa e melancólica de ficar em frente a TV me impediu de pensar. E eu estou sempre pensando, pensando, pensando. E pensar muitas vezes me machuca tanto.

Assisti uma série muito boa, fico feliz quando vejo que na TV ainda existem coisas boas  e mais feliz ainda quando essas coisas boas são produções brasileiras. No fim das contas, a inércia, os nuggets e TV me deixaram tranquila.

Isso porque eu não posso adiantar nada, nem viver por você, nem por outro qualquer. Isso porque eu acho que eu sou assim mesmo, essa aqui, mas ainda assim posso sempre aprimorar, aprender mais, isso porque a vida aqui é a vida real. Ela me embriaga, me empolga e me derrota na mesma proporção.

E porque, nos últimos minutos em frente a TV Denise Fraga cantou Cazuza:

"Na prática o amor é sempre o contrário.."

E percebi que era hora de desligar a TV e voltar pro mundo.
E escrever.



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