20/01/2015

Por falar em adeus. De novo.

Eu amo você. Mas, e sempre tem um mas, as coisas não são tão fáceis. A gente se perdeu. Mas nós nos magoamos. Mas eu agi sem pensar, você falou sem pensar, e nós acabamos pensando demais na hora de perdoar. Entende? É amor, MAS não bastou, porque amor, por si só, não basta, A gente aprende isso depois que cresce.
Mas, apesar de tudo isso, apesar de todos os outros "mas", eu te amo. Ainda que daqui um tempo meu coração volte a bater, sozinho ou por alguém. Ainda que seus olhos se encantem por outra pessoa. Vai doer, mas eu vou te amar mesmo assim. E não ligo. Você é uma das pessoas da minha vida que merece meu amor, e mesmo se não merecesse, eu o amaria.
Desculpas nunca vão dizer o quanto me arrependo do que fiz, sei disso. Mas desculpa. Obrigada nunca vai mostrar o tamanho da gratidão que eu tenho por tudo que passamos juntos, e por todas as vezes que você me deu abrigo, suporte e me acalmou a alma, aquietou o peito, secou as lágrimas. Mas obrigada. Palavras nunca serão suficientes para que saiba o quão amado você foi e é, mas aqui estão elas, porque só sei me expressar direito através delas. Essas palavras que já riram e choraram por você, hoje te dizem Adeus, quase implorando para que não vá embora, mas aceitando sua partida por falta de argumentos para te pedir pra ficar.
Lembra de mim com carinho, que seu canto tá guardado no meu coração, num lugar só dele. E não joga meus pedaços fora, esses todos que fui te dando aos poucos. Os seus estão guardados numa caixinha no alto do armário, pra que, um dia, eu volte a vê-los e lembre sempre que eu te fiz feliz, ainda que só um pouquinho. As fotos, as lembranças...estão todos bem guardados, pra você saber que não quero te esquecer, só quero te amar sem dor daqui pra frente.
Por fim, colecione experiências, viva tudo que tiver pra viver e seja tudo que quiser ser. Eu vou buscar me encontrar de alguma forma, me conhecer melhor. E se um dia nossos caminhos tortos se cruzarem de novo, espero que estejamos prontos, vividos, maduros, para tentar novamente.Sei lá..
Fica bem, não vai pra muito longe e se cuida.
Não esquece de se cobrir quando o ventilador estiver ligado,que Batman é melhor que o Superman,que você não pode desistir dos seus sonhos e que o senhor plantação de batata é a pessoa que eu mais admiro no mundo.

Adeus é o nosso "sempre".




14/01/2015

Por falar em rotina.



      
Talvez se eu fosse menos sã; menos terrena, menos serena. Talvez se o mundo fosse outro e as pessoas fossem outras e a rotina fosse outra e a vida fosse outra. Talvez assim, quem sabe?
    Talvez se eu seguisse o meu caminho sem desviar pelas beiradas, não acabaria naquele mesmo beco de sempre. Talvez se eu não sentisse que meu coração não me pertence e que ele quer, a todo custo, sair pela boca e voltar pro peito de quem nunca deveria ter saído, talvez.
     Talvez se eu não insistisse em tomar sempre o mesmo café, na mesma xícara, no mesmo horário e nos mesmos dias. Talvez se eu não usasse as mesmas botas quando chove, o mesmo cachecol quando esfria e o mesmo biquíni quando vou à praia. Talvez assim, quem sabe?


     Talvez se eu não respondesse sempre a mesma coisa quando me perguntam sobre o que eu fiz pela manhã ou pela tarde ou ontem ou ano passado. Talvez se eu perdesse a mania doida de conferir duas vezes se todas as luzes da casa estão apagadas antes que eu me deite. 
     Talvez se eu deixasse de namorar o mesmo casaco de sempre na vitrine e, finalmente, comprasse-o ao invés de gastar dinheiro sempre com as mesmas coisas. Talvez se eu não mascasse o mesmo tipo de chiclete, usasse toda semana a mesma cor de esmalte ou não ouvisse sempre a mesma música. Talvez assim, quem sabe?
     Talvez se eu não visitasse sempre os mesmo animais quando vou ao zoológico. Ou se, antes de sair de casa, eu não traçasse mentalmente sempre as mesmas rotas para qualquer lugar que eu vá. Talvez se eu não usasse o mesmo palavrão de sempre ou não dormisse sempre de bruço.


Talvez se eu não usasse sempre o mesmo guarda-chuva em todas as vezes que chove no mesmo setembro de todo ano. Talvez se eu não insistisse em manter o mesmo livro na minha cabeceira desde quando o li pela primeira vez há, sei lá, uns 5 anos. Talvez se eu não fizesse coleção de livros do mesmo autor e tentasse ler, talvez, Paulo Coelho. Talvez assim, quem sabe?
     Talvez se eu não comprasse sempre a mesma caneta para usar no mesmo bloco de notas; talvez se eu não sentasse sempre na mesma mesa quando vou ao mesmo restaurante de sempre e peço o mesmo prato que peço há quase 10 anos, alegando que eu apenas "adoro lanche de bacon". Talvez assim, quem sabe?
     Talvez se eu decidisse deixar de ser apenas protagonista e me promovesse a roteirista da minha própria vida. Talvez assim, quem sabe, minha história trocasse de gênero.

09/01/2015

Por falar em tempo.

Todas as coisas estão fadadas a alteração da matéria
e eu suportei sua metamorfose
dentro do meu mais pacífico holocausto.
a borboleta que tenho receio em tocar
hoje.

Cada parte que se dissolvia era um espaço a mais
para uma valsa
ou um voo.
as dores lancinantes se transformaram em algumas cicatrizes
meio à outras cicatrizes que eu sequer recordo
como foram ocasionadas.

o ser humano é um degradê de esperanças e feridas, vê?
me submeti à instabilidade dos seus cinzas
e foi a pior viagem
com a melhor companhia
que eu jamais tive.

admirei seus olhos castanhos e céticos,
mas sabia que te olhar era me olhar
e não possuía certeza se gostava do que via.
sobretudo, sempre quis descansar em suas esferas.
declinava.

continuo achando que provavelmente somos o mesmo lado do equilíbrio,
porém é tão efêmero acreditar que você é yin e eu sou yang, tão.
ambos sabemos que estamos ligados,
mas não sei de que forma,
só nos parecemos.

no arco-íris,
no terremoto,
na carta-branca,
no “não se mate",
no xeque-mate.

é improvável que a gente se esbarre
em um um show de uma banda
quinze ou vinte anos à frente
e tome três doses de um destilado qualquer,
admirando juntos o quanto poderíamos ter vivido.
é improvável que a gente viva alguns quinze ou vinte anos à frente.
é mais provável crer que, certamente, eu descobrirei que não te amo
tanto como penso e que você se tornará uma das cicatrizes
que eu não me lembro
como consegui.

Certamente isso dói em mim,
porque por mais que eu diga,por mais que eu explique,
você prefere hoje ser minha ferida
ao invés de curar e fazer desaparecer
as antigas cicatrizes.
Queria te amar e esperar pra todo sempre
mas o sempre,sempre acaba..
A não ser,que o HOJE permaneça.
E que você não me mate das suas rotinas.


04/01/2015

Por falar em desinteresse.

Eu não sou interessante. Recuso a sair aos domingos por preguiça e acabo dormindo no meio da tarde, compro desodorantes que dizem não manchar a roupa e cismei de trocar o chá gelado por café. Foi uma tentativa falha. E se alguém quiser saber, vivo de muitas tentativas falhas que vai dia após dia me empurrando para um futuro que eu não faço ideia de onde vai dar, mas eu tenho um amor. E vindo de mim com certeza é um amor que não irá interessar a ninguém. Desses em que eu com certeza inventaria de cozinhar para ele no domingo. Um frango assado, uma macarronada e a cervejinha. Para meu amor eu mandaria uma sms escondida do chefe quando a reunião estiver me entediando. Para esse meu amor eu compraria aquela camisa que ele tanto quer, mas estourou o cartão e não pode se dar a esse luxo. Arrastaria meu amor para o cinema mais próximo e o faria enfrentar horas a fio de amostra de filmes. No meio da briga eu começaria a cantar nossa música, porque assim não teremos perdas e nem uma mágoa. Seremos dois vencedores  
Pessoas não-interessantes. Desinteressantes. Meu amor é clichê.

Meu amor saiu das prateleiras e foi parar em algum depósito de coisas que ninguém tem interesse. Meu amor divide espaço com a jovem guarda. Eu não sou interessante. Sou aquela mulher que coloca a salto na bolsa para não cansar o pé no ônibus lotado e canta uma canção de amor baixinho como se velasse por um amor. Passo o dia incomodada com meus medos cotidianos,e isso não é coisa interessante a se fazer, mas isso vem de mim, alguém nada interessante. Eu detesto usar cores chamativas e blusas muito  estampadas,posso não ser interessante mas brega jamais. Portanto, eu me interesso pelo amor que eu nunca vi em ninguém por mim e prezo pelas minhas cenas bobas vistas em um folhetim e recriadas em minha memória.

E como tudo que não é interessante, ninguém dá atenção, eu guardo meu amor no bolso, velá-lo-ei cantando baixinho uma canção romântica dentro do meu busão lotado sem me esquecer da dose de praxe, depois de um dia exaustivo, nenhum pouco interessante, com comida requentada, jornal nacional e um livro de cabeceira.