Por falar em..tempo.

Todas as coisas estão fadadas a alteração da matéria
e eu suportei sua metamorfose
dentro do meu mais pacífico holocausto.
a borboleta que tenho receio em tocar
hoje.

Cada parte que se dissolvia era um espaço a mais
para uma valsa
ou um voo.
as dores lancinantes se transformaram em algumas cicatrizes
meio à outras cicatrizes que eu sequer recordo
como foram ocasionadas.

o ser humano é um degradê de esperanças e feridas, vê?
me submeti à instabilidade dos seus cinzas
e foi a pior viagem
com a melhor companhia
que eu jamais tive.

admirei seus olhos castanhos e céticos,
mas sabia que te olhar era me olhar
e não possuía certeza se gostava do que via.
sobretudo, sempre quis descansar em suas esferas.
declinava.

continuo achando que provavelmente somos o mesmo lado do equilíbrio,
porém é tão efêmero acreditar que você é yin e eu sou yang, tão.
ambos sabemos que estamos ligados,
mas não sei de que forma,
só nos parecemos.

no arco-íris,
no terremoto,
na carta-branca,
no “não se mate",
no xeque-mate.

é improvável que a gente se esbarre
em um um show de uma banda
quinze ou vinte anos à frente
e tome três doses de um destilado qualquer,
admirando juntos o quanto poderíamos ter vivido.
é improvável que a gente viva alguns quinze ou vinte anos à frente.
é mais provável crer que, certamente, eu descobrirei que não te amo
tanto como penso e que você se tornará uma das cicatrizes
que eu não me lembro
como consegui.

Certamente isso dói em mim,
porque por mais que eu diga,por mais que eu explique,
você prefere hoje ser minha ferida
ao invés de curar e fazer desaparecer
as antigas cicatrizes.
Queria te amar e esperar pra todo sempre
mas o sempre,sempre acaba..
A não ser,que o HOJE permaneça.
E que você não me mate das suas rotinas.


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