25/04/2015

Por falar em, tudo suporta?







O problema do amor é esse. Nos piores erros e falhas e mágoas que acontecem, não é a pessoa que você quer matar, mas a si mesmo. O problema do amor é que ele perdoa o imperdoável, aceita o inaceitável, não cobra nada quando se faz doar inteiro.
O problema do amor é que ele é amor mesmo sem ser retribuído, é amor pra suportar o descaso, é amor pra aguentar os bons e maus dias, é amor pra se estar por perto quando ninguém mais esteve e pra se estar por perto quando todas as companhias parecem ser melhores que a sua. Continua sendo amor, continua sendo benigno, inocente, infinito em sua imensidão. É amor pra quem não merece, não quer e não liga. Amor pra suportar orgulho, traição, ignorância, estupidez e não deixar de querer bem nem por um instante.
O amor engole o choro todos os dias só pra continuar amando. Cuida, cura, ameniza, alimenta. É esmagado e desprezado todos os dias. Jogado pra escanteio, pra reserva, pra escape, pra estepe. Mas continua, e não deixa de existir, e não pára de crescer e não muda e resiste às piores palavras, aos piores atos. Porque é amor, não importa o que você faça, não importa o que façam pra você. É amor, e você sabe que é quando descobre que a única pequena chance de ser feliz é fazendo feliz quem você ama. É amor e você tem certeza disso quando nem mesmo suas piores mágoas daquela pessoa conseguem fazer com que se afaste dela.
Amor é isso, algo próximo do masoquismo de tão altruísta que é. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. E dói. Caso contrário, não seria amor, mas nem todo mundo ama, não é?


20/04/2015

Por falar em: Ta tudo aqui.



Tá tudo. Tem pen drive na minha bolsa. Tem desodorante. Tem rímel. Tem creme dental. Tem carregador. Tem chave. Tem chaveiro. Tem frase no chaveiro “Palmeiras minha vida é você”. Tem escova de cabelo, escova de dente. Tem uma caneta, um lápis. Tem carteira. Tem dinheiro. Pouco. Tá tocando Tristeza. Tristeza. Chamo Vinicius de Moraes de Vini porque somos íntimos. Tá doendo. Tá. Tô solitária. Não dá para ser amigo de alguém quando o amigo é só você. Tá tudo dando certo na minha vida. Tá tudo dando errado comigo. Eu choro. Choro sim. Derramo tudo. Tá tudo. Chorei com as cenas de PS: EU TE AMO, afinal, quem tem um amor daqueles? Romantismo demais é um porre. 


Quero me embriagar. Eu tô cansada, bicho. Eu tô cansada de gente mesquinha. Eu tô cansada de família que some porque a namorada não deixa ficar perto. Eu vou bater panela pra parente que vomita merda. Eu saio porque não gosto de ficar onde não sou bem vinda. Eu tô mudando meus conceitos. Olha essa política. Política é lixo. Impeachment é assunto cansado, se acha bacana porque sabe escrever impeachment. Eu sei escrever Nietzsche, seu ridículo. Tá tudo tão lixo não reciclável. Dentre os resíduos domésticos, há muitos que não possuem uma solução sustentável. Preciso escrever um poema sobre a felicidade. Felicidade é minha mãe sorrindo! Rosely, não sabe disso, e nem precisa. Mas mãe, obrigada por ser minha, ainda que não goste tanto desse título, não te dei nenhum orgulho..foi mal o auê. É bom não ter ninguém pra odiar. Eu tô querendo fazer dieta. Eu preciso ler um livro bem bosta, pra ter esperança de um dia ver o meu nas prateleiras. 

Eu ando pensando demais em carros, reformas e em ser amada. Na cozinha daqui não existe mais farinha láctea porque eu tenho preguiça de preparar. Eu preciso ir à exposição de graffiti no Ibirapuera, já pedi pro meu namorado, mas ele mudou de assunto, paciência. Eu quero mais amor na minha vida. Não gosto de pensar que crianças vão para o céu. Não gosto da palavra morte. Dessa coisa que finda, acaba pra sempre. Pai, eu te amo tanto, e eu amo tanto e tanto que eu choro lendo poema do Fernando Pessoa porque eu penso em você. Eu estou proibida de sentir falta porque dizem que desde que você se foi eu ando chorona demais. E dói pai, dói demais cê nem imagina. E tá tudo girando agora. E eu danço em Tristeza. Eu danço com o Vini que finda na bosta dos fones. 2014 foi o ano da nossa morte.