Por falar em..tragédia de erros.




Não é auto descoberta. Já sei quem sou, mas insisto em me provar a todo momento. Vai ver é isso que tá me deixando bagunçada. Essa necessidade de desafiar à mim mesma, de querer sempre me colocar no meu lugar, e achar que meu lugar é cada vez mais pra baixo. Vai ver é você que me faz ser mocinha e vilã ao mesmo tempo e me confunde, trocando de papel a toda hora.
Não sei o que é, pra ser bem sincera. Não sei se sou eu perdida outra vez, ou se é porque, de fato, nunca nem me encontrei. Talvez seja o avesso de mim mesma esfregando na minha cara que não consigo ser essa mulher que achava que seria. Logo eu, que envelheci duas décadas nos últimos anos, acho que fracassei em alguns pontos. 
Porque, como se não bastasse todas as vezes anteriores, hoje eu me olhei no espelho e o reflexo me disse a mesma coisa de sempre, pra parar de sonhar tão alto, porque não mereço. Não mereço porque quebrei as regras ontem, como sempre faço, e ultrapassei os limites com os quais me cerco. De novo. Nunca vou merecer o tanto que quero, se sempre que estou perto de um nível equilibrado de sensatez, escorrego e caio no chão de novo, e perco o siso, perco o trabalho duro dos meses que passei andando em linha reta. Nunca vou merecer você.

Vai ver o erro está em mim, sempre em mim, que miro nos alvos sempre muito inalcançáveis. Inatingíveis pra essa gente boba igual eu. E faço questão de permanecer errando nos mesmos pontos, caindo nos mesmo buracos ainda que sei exatamente onde estão, só pra mostrar pra mim mesma que jamais vou chegar nesse patamar de merecer as pessoas que gosto e os sonhos que carrego, jamais vou conseguir andar sem cair. Erro de propósito, pra lembrar que sou torta, sou quebrada, e que nada jamais vai me fazer inteira ou merecedora o suficiente de um futuro bom; pra não me deixar esquecer que, não importa quanto tempo passe agindo corretamente, sempre vou ser falha e tropeçar em alguma parte do caminho e ter que voltar ao início, porque minhas qualidades pelo que entendo, não contam e não podem ser usados nesse meu julgamento diário.

Mas com tanta conta pra pagar na vida, quem sou na fila da crise existencial, né? Com tanto problema pra resolver, até parece que o que sinto vai ganhar algum destaque na minha lista de preocupações. Porque quando eu acordar no dia seguinte, serei apenas a mesma de sempre, com o mundo pesando nas costas, o medo absurdo no coração misturado à certeza de nunca ser boa o bastante pra você,ou pra minha mãe ou pro mundo,  a desconfiança nos olhos e essa insatisfação ao olhar pro espelho outra vez e lembrar que ainda sou a mesma. A mesma tragédia de erros.

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